Papai Noel não existe! O fim da Novela da música do velho batuta...

 


Papai Noel não existe! O fim da Novela da música do velho batuta...

Era uma vez uma novela sem mocinhos nem vilões claros, mas com uma banda punk no centro da trama. Quem acompanhou o enredo sabe: não se tratava de ficção televisiva, mas de uma investigação que parecia saída de um roteiro surreal. O palco? João Pessoa. Os protagonistas? Mao, Negralha e os demais integrantes dos Garotos Podres. O antagonista? Uma denúncia que nasceu mais da memória da internet do que da realidade de um show.

A acusação dizia que músicas “controversas” dos anos 1980 haviam sido executadas. “Papai Noel, Velho Batuta”, “Fernandinho Viadinho”, “Führer” foram listadas como se ainda ecoassem nos amplificadores da banda. Mas o detalhe que desmontou a narrativa foi quase cômico: o denunciante sequer esteve presente no espetáculo. Baseou-se em vídeos e lembranças digitais, como quem confunde passado com presente.

A Justiça da Paraíba, ao analisar o registro audiovisual do show, concluiu que nenhuma das canções citadas havia sido tocada. Testemunhas, músicos e produtor confirmaram: o repertório seguiu outro caminho. Algumas músicas já estavam aposentadas há décadas, outras nem sequer pertenciam ao repertório autoral. O processo, então, foi arquivado. Fim da novela.

Mas antes do desfecho, houve cenas dignas de crônica. Mao relatou que o baterista Negralha precisou explicar à polícia que Papai Noel é um personagem fictício. A ironia é quase literária: em pleno século XXI, uma banda punk foi chamada a justificar letras antigas como se estivesse diante de um tribunal da imaginação. O episódio revelou não apenas o excesso da investigação, mas também a persistência de fantasmas da censura, mesmo após o fim da ditadura militar.

No apagar das luzes, o que resta é a sensação de que a resistência cultural continua sendo testada. O punk, com sua irreverência, segue incomodando. E talvez seja esse o papel da arte: provocar, desafiar, resistir. A crônica termina com final feliz para os Garotos Podres, mas deixa no ar uma pergunta incômoda — quantas outras vozes ainda serão chamadas a se explicar por cantar o que já foi cantado?

Por: Prof. José Luis Vasquinho Paredes

Historiador, socialista, São Paulino, butequeiro e Feliz 2026 pra quem é da luta.

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Fonte: https://fronterarockbr.com/

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