"Manifesto contra o bom velhinho" - O Natal dos esquecidos

 


"Manifesto contra o bom velhinho" - O Natal dos esquecidos

Escrevi aqui no canal recentemente sobre os  40 anos da Música "Papai Noel Velho Batuta", e posteriormente depois de conversar com o Mao vocalista da banda Garotos Podres, escrevi sobra a censura que a banda vem sofrendo.O Retorno da Censura: 40 anos depois de “Papai Noel Velho Batuta!”

Recentemente o amigo prof. José Tadeu me lembrou a história de outra música anti-natalina que já “matou” o Papai Noel em 1932. Trata-se da música “Boas Festas” de Assis Valente, que compôs essa musica claramente contra o “bom velhinho.

Fiz a pesquisa sobre a música e vamos aos fatos: Se você cresceu no Brasil, certamente já se pensou que "todo mundo fosse filho de Papai Noel". Mas, o que parece uma rima infantil de Natal, na verdade, é uma das críticas sociais mais ácidas e melancólicas da nossa música.

Em 1932, o compositor baiano Assis Valente decidiu quebrar o encanto natalino em sua canção "Boas Festas", no qual ele decretou que o bom velhinho "com certeza já morreu", dando voz a todos aqueles que o Natal insiste em esquecer.

A ironia de Valente é fantástica e atemporal. Enquanto o comércio vende a ideia da felicidade plena, ele a define como um "brinquedo de papel", algo frágil, que rasga no primeiro sinal de realidade.

A letra de "Boas Festas" aborda a ideia de que nem todos compartilham da felicidade natalina. O verso "Eu pensei que todo mundo fosse filho de Papai Noel" revela uma visão inocente que logo se transforma em uma crítica à desigualdade social. A canção expressa o desejo por felicidade e presentes que muitas pessoas não recebem, destacando a solidão e a desilusão que podem acompanhar as festividades.

Composta em um quarto solitário de pensão no Rio de Janeiro, a música nasceu da observação crua de quem via a festa passar pela janela, sem ser convidado. Para o autor, o Natal não era sobre renas ou neve, mas sobre a ausência de quem "já faz tempo que eu pedi, mas o meu Papai Noel não vem".

Essa ousadia lírica atravessou gerações. Foi imortalizada pela voz de trovador de Carlos Galhardo nos anos 1930 e ganhou uma roupagem psicodélica e rebelde com os Novos Baianos em 1973.

No auge da ditadura militar, misturar o lamento de Assis Valente com o peso do rock foi uma forma de lembrar que, sob o brilho das árvores de Natal, o país ainda buscava uma felicidade que não fosse descartável.

Assim se consolidou a canção do Natal à brasileira, quase um manifesto anti-Noel, que ainda teve inúmeras regravações após a era dos discos de 78 rotações. Entre as gravações mais marcantes estão uma do conjunto Novos Baianos (1973) e as de Tonico e Tinoco (1980), Joyce Moreno (1996), Ivan Lins (1999), Lisa Ono (2000) e Maria Bethânia (2006). Além, claro, da interpretação (e das memórias) de Caetano Veloso em sua “live” de Natal.

A história de "Boas Festas" é um testemunho da capacidade da música de capturar emoções complexas e realidades sociais. Assis Valente, através de sua composição, conseguiu transformar sua solidão em uma obra que fala sobre a condição humana, fazendo com que a canção era pra ser um hino anti-noel, oo contra a hipocrisia do natal, onde uma parcela da população tem o que comer, onde as crianças ganham brinquedos em contraste a condição de miséria de  boa parte da população em 1932.

A critica é a mesma da música Papai Noel velho Batuta dos Garotos podres, que hoje sofre perseguição e censura, Assis Valente já dava papai noel como um morto, pois não ajudava os pobres “Mas o meu Papai Noel não vem, Com certeza já morreu, Ou então felicidade, É brinquedo que não tem”.

Com certeza estes hipócritas que processam a banda Garotos Podres festejaram o natal com uma ceia farta, um pinheiro decorado rodeado por presentes e cantando a música de Assis Valente, sem entender a letra mais uma vez. E foda-se os pobres!!!

 Letra da Música:

Boas Festas – Assis Valente

Anoiteceu

O sino gemeu

E a gente ficou

Feliz a rezar

 

Papai Noel

Vê se você tem

A felicidade

Pra você me dar

 

Eu pensei que todo mundo

Fosse filho de Papai Noel

Bem assim felicidade

Eu pensei que fosse uma

Brincadeira de papel

 

Já faz tempo que eu pedi

Mas o meu Papai Noel não vem

Com certeza já morreu

Ou então felicidade

É brinquedo que não tem

Oh, anoiteceu

Por: Prof. José Luís Vasquinho Paredes

Historiador, socialista, São Paulino, butequeiro e uso havaianas.

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Fontes:

https://www.diariodolitoral.com.br/cotidiano/a-historia-da-cancao-que-provou-que-nem-todo-mundo-e-filho-de-papai/209061/

https://discografiabrasileira.com.br/posts/243472/boas-festas-o-natal-a-brasileira-no-primeiro-sucesso-de-assis-valente

 

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