O moicano que o tempo não apaga: de 1986 ao streaming - "Fuck the USA" do The Exploited

 

O moicano que o tempo não apaga: de 1986 ao streaming

"Em 1986, o cenário eram as ruas da periferia da Zona Leste. Eu andava acompanhado do Clemente, meu grande parceiro de movimento Punk e ex-baterista da nossa banda, a 'Enfermidade Mortal'. Naquela época, uma das bandas inglesas que mais faziam a nossa cabeça era o The Exploited. Lembro bem da minha camiseta com a clássica caveira de moicano — ela mal parava no varal de tanto que eu a usava.

Quase 40 anos se passaram, mas ao ler este texto do Lucas Monteiro, fui transportado no tempo. Corri para o Spotify e dei o play nas músicas que marcaram minha década de 80. Ouvir esses acordes me trouxe a memória do falecido Cidão, companheiro de caminhada que nos deixou cedo demais, vítima da violência dos Carecas do Subúrbio — mas essa é uma história pesada que fica para outra oportunidade.

Por ora, deixo vocês com esta reflexão. Boa leitura.

Faixa de 1982: "Fuck the USA" do The Exploited e a crítica direta à sociedade estadunidense 

A banda The Exploited foi formada em 1980 em Edimburgo, Escócia, por Wattie Buchan (vocais), Big John Duncan (guitarra), Dru Stix (bateria) e Gary McCormack (baixo). Desde o início, eles se destacaram por sua postura agressiva, com letras abertamente contestadoras e com uma maneira de tocar característica do punk rock. Ao longo dos anos a banda modificou várias vezes a sua formação, sempre com Wattie Buchan nos vocais mantendo as atividades, sendo também o mais importante letrista da banda. O disco de estreia foi o Punks Not Dead de 1981, lançado pela Secret Records, uma gravadora independente do Reino Unido.


Video com a música traduzida

A faixa em questão faz parte do disco Troops of Tomorrow, lançado em 1982, e é intitulada apenas "U.S.A.". A letra da canção provoca explicitamente algumas características da sociedade estadunidense, partindo da premissa de que "não existe nada de bom em relação aos EUA". Há uma menção à necessidade de pagar pelos serviços de assistência à saúde, um tema frequentemente associado a esse país, considerando que parte considerável da população é completamente desassistida e os custos podem facilmente ultrapassar os milhares de dólares.

As questões econômicas também são alvo, a partir das provocações de que o "dólar é a língua que eles falam" e que os "ricos não se importam com aqueles que sofrem", afirmações que são obviedades de uma sociedade que, com algumas exceções, se orgulha do seu modelo predatório de capitalismo. Além disso, as questões bélicas também têm seu destaque, já que os Estados Unidos da América é facilmente lembrado pelos inúmeros conflitos geopolíticos que já ingressou, de forma direta ou indireta, seja para acabar com o "terror" ou para levar a democracia para algum povo.

Por Lucas Monteiro

Matéria Original

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