A Aprovação Automática no Ensino Médio de São Paulo: A Farsa da Prova de Recuperação Estadual
Como o secretário Renato Feder pretende maquiar os números da educação
O ano letivo de 2025 trouxe uma “inovação” polêmica para as
escolas públicas do Estado de São Paulo. O secretário de Educação, Renato Feder
— ex-dono da Multilaser, empresa que vendeu milhões em tecnologia para o
próprio Estado — segue apostando em medidas que, na prática, maquiam os
resultados da educação sem enfrentar os problemas reais.
Plataformização da educação: ensino sem professores?
Antes de 2025, Feder já defendia a ideia de que professores
poderiam ser substituídos por plataformas digitais e conteúdos elaborados por
inteligência artificial. Foram criadas dezenas de plataformas com atividades
mecânicas, em que o foco está na quantidade de tarefas realizadas, e não no
aprendizado efetivo dos alunos. O resultado é um ensino cada vez mais
robotizado e distante da realidade das salas de aula.
A Prova Paulista e seus obstáculos
Paralelamente, surgiu a Prova Paulista, pensada para
competir com o ENEM e o SISU, garantindo vagas nas universidades estaduais
apenas para alunos de São Paulo. Mais uma vez, tudo digital. O problema? A
infraestrutura das escolas não acompanha a proposta: falta de equipamentos,
computadores de baixa qualidade e internet precária. Em muitas escolas, os
alunos precisam trocar de bloco para conseguir acessar a rede e realizar a
prova.
Quando conseguem, fazem a avaliação em poucos minutos, sem
real interesse no processo. Como a prova é obrigatória, e não por adesão, as
notas foram baixíssimas. Foi aí que surgiu a “solução mágica” do secretário.
A mudança na recuperação: de média ponderada à aprovação
automática
Até 2024, a prova de recuperação funcionava de forma
ponderada. Se um aluno tirasse notas muito baixas nos bimestres, mas
conseguisse um 10 na recuperação (muitas vezes usando robôs para responder),
sua nota era ajustada para, no máximo, 6. Ainda havia algum equilíbrio.
Em 2025, tudo mudou: agora o professor é obrigado a
substituir a menor nota diretamente por 10. Ou seja, um aluno que tinha 2 em um
bimestre e tirou 10 na recuperação passa a ter notas 10 e 2, ficando
praticamente aprovado. Esse processo se repetiu no segundo semestre,
consolidando a aprovação automática.
O efeito imediato: desmotivação e abandono das atividades
Com esse novo critério, muitos alunos deixaram de se dedicar
às atividades regulares. Afinal, é muito mais fácil garantir a nota na
recuperação. No conselho de classe, a realidade ficou clara: os poucos
reprovados foram apenas por excesso de faltas. Quase ninguém foi retido por
notas.
A educação de fachada
De repente, no Estado de São Paulo, alunos com graves
dificuldades de leitura e escrita, que acumulam mais faltas do que presenças,
aparecem com duas notas 10 — tão falsas quanto uma nota de três reais — e são
aprovados.
E aqui fica a reflexão: que tipo de educação queremos para nossos filhos e netos? Certamente não uma educação baseada em números falsos, criada para sustentar discursos políticos e preparar terreno para as próximas eleições.
Por: Prof. José Luís Vasquinho Paredes
Historiador, socialista, Sãopaulino, butequeiro.
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